REAG, Galípolo e Padilha: Conexões da Operação Carbono Oculto

A Operação Carbono Oculto e suas Ramificações
A Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal, revelou um complexo esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, com ramificações que alcançam altas esferas do governo. A investigação, que mobilizou 350 mandados de busca e apreensão, expôs uma organização criminosa que operava em larga escala, expandindo seus postos de combustíveis em São Paulo e Goiás.

O Papel da REAG na Investigação
No centro das investigações está a REAG, a maior gestora independente de investimentos do país, com R$ 299 bilhões sob gestão. Seu presidente, João Carlos Falpo Mansur, é investigado por supostamente estruturar fundos de investimento (Hans 95, com ligações aos fundos Mabruk II e Anna) utilizados pelo empresário Mohamad Hussein Mourad, principal alvo da operação, para lavagem de dinheiro. A REAG divulgou nota afirmando colaborar com as autoridades, mas a proximidade da empresa com figuras importantes do governo levanta preocupações.
Encontros Suspeitos e Proximidade com o Governo
Registros de reuniões de Mansur com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e seu chefe de gabinete, Julio Cesar Costa Pinto, apenas duas semanas antes da operação, intensificaram o escrutínio sobre a REAG. Embora Galípolo possa ter se reunido com Mansur como parte de suas atribuições, a frequência de encontros da REAG com agentes do governo exige uma análise mais profunda. A ONG Fiquem Sabendo, utilizando a ferramenta Agenda Transparente, revelou diversos encontros com o Ministério dos Transportes, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (em junho de 2025) e a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (em novembro de 2024), este último com a presença do então ministro Alexandre Padilha.
O Envolvimento do Ministro Padilha
O encontro com Padilha, na época ministro da Secretaria de Relações Institucionais e atualmente ministro da Saúde, ocorreu em novembro de 2024 e foi justificado como preparação para a visita do presidente chinês, Xi Jinping, ao Brasil. A REAG também se reuniu com diversas agências reguladoras, incluindo a CVM, ANTT e Susep. A legitimidade dessas reuniões, considerando a atuação da REAG em diversos setores, precisa ser avaliada à luz das suspeitas de lavagem de dinheiro.
Análise e Conclusões
A Operação Carbono Oculto expôs um esquema complexo e sofisticado de lavagem de dinheiro. As empresas financeiras, como a REAG, parecem ter atuado na fase final do processo, auxiliando na ocultação dos capitais. A investigação continua em andamento, e a complexidade do caso exige um acompanhamento atento. A proximidade da REAG com o governo e o envolvimento de seu presidente em uma operação de lavagem de dinheiro exigem uma análise cuidadosa e transparente das relações entre a empresa e as autoridades. A colaboração alegada pela REAG precisa ser comprovada, e a investigação precisa esclarecer completamente o alcance da operação criminosa e o nível de envolvimento de todos os suspeitos.
A Importância do Jornalismo Investigativo
Este caso demonstra a importância do jornalismo investigativo na busca pela verdade e na responsabilização dos envolvidos em atos ilícitos. A transparência e o acesso à informação são essenciais para uma sociedade democrática e justa. Acompanhe as atualizações deste caso e outros relevantes em nosso canal.
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