Crise de Motta: Anistia de 8 de Janeiro e Redes Sociais

A Anistia de 8 de Janeiro e o Prejuízo na Imagem de Hugo Motta
A aprovação da anistia aos atos de 8 de janeiro resultou em uma significativa queda na popularidade do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. O monitoramento das redes sociais, serviço que custa cerca de R$ 100 mil mensais ao Republicanos, partido de Motta, revelou um aumento alarmante de menções negativas relacionadas às suas posições sobre o tema.

Monitoramento de Redes Sociais: Um Panorama Negativo
Desde antes da eleição de Motta para a presidência da Câmara, o Republicanos acompanha a repercussão de suas declarações nas redes sociais. Relatórios internos apontam uma intensificação das críticas entre janeiro e fevereiro, impulsionadas principalmente por influenciadores de esquerda.
Um dos principais motivos para a onda de críticas foi a declaração de Motta de que os atos de 8 de janeiro não constituíram uma tentativa de golpe. Essa afirmação gerou uma série de réplicas negativas, amplificadas pela grande audiência dos influenciadores.
Influência de Deltan Dallagnol e a Narrativa da Oposição
Os relatórios do Republicanos destacam a influência de postagens feitas por Deltan Dallagnol, ex-procurador da República, antes mesmo da eleição de Motta. Dallagnol, em suas publicações no Instagram e X (antigo Twitter), afirmava que Motta seria contrário à anistia, criando uma expectativa negativa em torno do deputado.
Essas postagens, com alto engajamento, impactaram significativamente a percepção pública de Motta, contribuindo para o aumento das críticas.
Críticas da Direita e o Suposto Acordo com Bolsonaro
As críticas a Motta, no entanto, não se limitaram à esquerda. Um relatório menciona um vídeo do deputado Gustavo Gayer (PL-GO) que obteve 370 mil visualizações, onde Gayer explica seu voto em Motta com base em um suposto acordo que beneficiaria Jair Bolsonaro, mantendo-o elegível.
Essa narrativa, disseminada nas redes sociais, contribuiu para alimentar as críticas de setores da direita, que veem em Motta uma figura comprometida com o bolsonarismo.
Março: Intensificação das Críticas e Confronto Público
Em março, a situação piorou. Um relatório entre os dias 21 e 24 de março destaca reações negativas ao discurso de Motta sobre a inexistência de perseguidos políticos no Brasil.
Um vídeo no X, com 300 mil visualizações, mostra uma mãe de um exilado político confrontando Motta diretamente, expondo a fragilidade de sua argumentação e a percepção de insensibilidade por parte da população.
Pressão Interna e Tentativa de Aproveitar Ausência de Motta
Outro alerta de março aponta para perfis de direita que sugeriram ao vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), que aproveitasse a ausência de Motta em viagem ao Japão para pautar a anistia.
Embora Altineu tenha cogitado essa possibilidade durante protestos de bolsonaristas em agosto, ele acabou recuando, demonstrando a complexidade da situação política e as pressões internas.
Abril: Menções Negativas atingem 65%
Os relatórios de abril mostram que as menções negativas a Motta chegaram a 65% no dia 15, demonstrando a persistência do impacto negativo de suas posições sobre a anistia dos atos de 8 de janeiro em sua imagem pública.
A crise de imagem de Hugo Motta, portanto, é um reflexo da polarização política brasileira e da influência das redes sociais na formação da opinião pública. Suas declarações sobre a anistia, interpretadas como condescendentes com os atos golpistas, geraram uma reação contundente que comprometeu sua imagem e sua posição política.
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