Dízimo e Oferta: Um Guia Completo com Explicação Bíblica

A contribuição financeira para a obra de Deus, por meio do dízimo e das ofertas, é um tema central na fé cristã que gera muitas perguntas e reflexões. Mais do que uma simples doação, é um ato de adoração, fé e gratidão. Neste artigo, vamos mergulhar nas Escrituras para compreender a essência do dízimo e da oferta, seus fundamentos bíblicos e o significado espiritual por trás dessas práticas.
Dízimo e Oferta: Definições e Diferenças Essenciais
Embora frequentemente mencionados juntos, dízimo e oferta possuem distinções importantes em seu propósito e origem bíblica. Entender essa diferença é crucial para uma prática consciente e genuína.
O Dízimo: O Primeiro Décimo
A palavra "dízimo" significa literalmente "a décima parte". No contexto bíblico, o dízimo representa a devolução de 10% de toda a renda ou produção a Deus, reconhecendo que Ele é a fonte de todas as bênçãos. Sua prática remonta a antes da Lei Mosaica, com Abraão dando o dízimo a Melquisedeque (Gênesis 14:18-20) e Jacó fazendo um voto semelhante (Gênesis 28:20-22).
Na Lei de Moisés, o dízimo tornou-se um mandamento explícito, com o propósito principal de sustentar os levitas, sacerdotes e as atividades do templo, além de prover para os necessitados (órfãos, viúvas e estrangeiros). É um ato de fidelidade e obediência, um reconhecimento da soberania de Deus sobre tudo o que possuímos.
A Oferta: Generosidade Voluntária
A oferta, por sua vez, é uma contribuição voluntária, dada além do dízimo, sem um valor fixo estipulado. Ela é um reflexo da generosidade e do amor do ofertante, impulsionada pelo coração e não pela obrigação. No Antigo Testamento, ofertas eram dadas para diversas finalidades, como a construção do Tabernáculo, sacrifícios específicos ou como expressão de gratidão.
No Novo Testamento, a ênfase na oferta se intensifica, destacando a importância de dar com alegria, liberalidade e conforme o coração propôs. É uma forma de apoiar a obra do Evangelho, as necessidades da igreja local e os irmãos em Cristo.
O Fundamento Bíblico da Generosidade
A Bíblia apresenta o dízimo e a oferta não como meras exigências financeiras, mas como princípios espirituais que revelam o coração do doador e o relacionamento com Deus.
No Antigo Testamento: Uma Aliança de Provisão
- Malaquias 3:8-10: O texto clássico que adverte contra "roubar a Deus" nos dízimos e ofertas, prometendo bênçãos para aqueles que trazem o dízimo completo à Casa do Tesouro. Este é um convite de Deus para prová-Lo em fidelidade.
- Provérbios 3:9-10: Incentiva a honrar a Deus com os primeiros frutos, garantindo que os celeiros serão cheios e os lagares transbordarão.
- Deuteronômio 14:22-27: Detalha como o dízimo deveria ser celebrado e compartilhado, especialmente para as festas e para aqueles que não tinham herança.
No Novo Testamento: Graça, Amor e Generosidade
Embora o Novo Testamento não estabeleça o dízimo como uma lei cerimonial obrigatória para os cristãos, a prática da generosidade é amplamente incentivada e o princípio de sustentar a obra de Deus permanece forte. Jesus não condena o dízimo, mas critica a hipocrisia de dar sem justiça, misericórdia e fé (Mateus 23:23; Lucas 11:42). A ênfase é no coração doador.
- 2 Coríntios 9:6-7: Paulo ensina o princípio da semeadura e colheita, enfatizando que devemos dar conforme propomos em nosso coração, não com tristeza, nem por obrigação, pois "Deus ama a quem dá com alegria".
- Lucas 21:1-4 (A Oferta da Viúva Pobre): Jesus observa uma viúva pobre dar duas pequenas moedas, declarando que ela deu mais do que todos os ricos, pois deu de sua pobreza tudo o que possuía. Este relato sublinha que a quantidade não é tão importante quanto a atitude e o sacrifício do coração.
- 1 Coríntios 16:1-2: Paulo instrui sobre a coleta regular de ofertas, mostrando a importância do planejamento e da sistematicidade na contribuição.
O Coração por Trás da Doação
Mais importante do que o valor monetário do dízimo e da oferta é a atitude do coração do doador. A generosidade é um teste de confiança em Deus e uma forma de adorá-Lo.
- Fé e Confiança: Dizimar e ofertar é um ato de fé que demonstra confiança na provisão divina, tirando o egoísmo do coração e colocando Deus em primeiro lugar.
- Gratidão: É uma forma tangível de expressar gratidão a Deus por todas as bênçãos recebidas.
- Amor ao Próximo e à Obra: As contribuições financeiras sustentam a igreja, seus ministros, a evangelização e as ações sociais, impactando vidas e expandindo o Reino de Deus.
- Libertação do Materialismo: Ao dar, o cristão exercita o desapego e a generosidade, evitando que o coração se apegue às riquezas terrenas.
Conclusão: Um Chamado à Generosidade com Alegria
Dizimar e ofertar, portanto, são mais do que obrigações; são privilégios e atos de adoração que nos conectam mais profundamente com Deus. É um convite para participar ativamente da Sua obra na terra, expressando nossa fé, gratidão e amor. Que cada contribuição seja feita com um coração alegre, generoso e cheio de confiança naquele que é o provedor de tudo.
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